Beá Meira

O invisível coração Guarani

As águas subterrâneas do Aquífero Guarani foram confinadas em rochas sedimentares, sob uma espessa camada de formações vulcânicas, há milhões de anos. Presentes no ciclo de toda vida que tem habitado o sudeste da América do Sul, estas águas que atravessam 1,2 milhão de km2, são também invisíveis.

Na tapeçaria O invisível coração Guarani procurei dar uma forma para esse coração da Terra. Um coração líquido, ancestral, aprisionado e puro, nascido nas areias brancas de um deserto, soterrado pela geo-história, atravessou o tempo profundo, por milhões de anos.

Esteve sob os pés dos Guaranis, quando estes povos em um processo de expansão de sua cultura, na busca por uma Terra sem males, se estabeleceram há cerca de mil anos, nesse território, ainda seu. Um coração que pulsa alimentando um farto ciclo de vida das nascentes da bacia do rio Paraná até o estuário do Rio da Prata.

Veias abertas
monotipia sobre litografia, 25 x 40 cm

Arenito Botucatu, infiltração e recarga 
Gamprint, ponta sêca e monotipia

Busco encenar a pequena porção da água da chuva que se infiltra para o subsolo na área de afloramento, se movendo a uma taxa de poucos centímetros por ano.

Quanto vale um Guarani?
Gamprint

Irresponsabilidades radicais têm sido cometidas, como a utilização dessa água pura, para irrigação misturada a agrotóxicos no cultivo da cana ou para consumo em processos industriais brutos e altamente poluidores.